quarta-feira, 13 de maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

Última carta.


Dona Sônia, que agora já era "dona" (como senhora), à caminho do hospital, lia com dificuldade a carta que esperou ler por toda sua vida.

Primeiramente, eu gostaria de pedir desculpas por estar entregando essa carta assim, tão covardemente. O fato é que eu não conseguiria olhar em seus olhos e permitir que palavras ecoassem ao mesmo tempo. Pelo menos, não essas palavras, e isso não se faz surpresa, esta continua sendo minha marca registrada afinal.
Hoje sonhei contigo. Tenho escutado muito as músicas que você me mandava, lido suas antigas cartas, algumas que não tive coragem de queimar. E agora, elas me queimam por dentro. Em contraposto, tem feito muito frio, chovido demais, tempestades dantescas, e ainda sim, eu estou cheio de queimaduras de quinto grau.
Durante todos esses anos eu tentei, juro que tentei. E achei que havia conseguido. Pensei realmente ser liberdade. Me gabava em frente ao espelho por pensar que minha luta incansável havia chegado ao fim. Eu definitivamente havia te esquecido.
Mas ontem, por algum motivo, desconhecido e extremamente desesperado, como se fosse um pedido de vida, sua lembrança me fez ver que apesar de transparentes, ainda perduravam as grades da minha antiga prisão, que me prendia a você.
Eu jamais lhe pediria perdão à essa altura, e muito menos, diria que aquelas palavras escritas no espelho do banheiro aquela noite não eram minhas. Só quero dizer antes que seja tarde, que continuo sob mesma condição, porém agora, não distraio mais a verdade, e cansei de enganar o coração. Em relação àquilo que saí em busca naquela noite, não posso dizer que encontrei, mas também, não tem a menor importância. O que posso dizer certamente, é que te perdi.
Perdi para mim mesmo. Perdi para a minha insegurança em me declarar. Para meus insanos e incontroláveis desejos, os quais eu não queria te mostrar . Para minhas utópicas manias de revolução. Devo admitir, desisti delas. Agora que estou velho, posso compreender tudo.
Mas não queria morrer sem que você soubesse...
aquelas palavras em batom vermelho, não passavam de medo. Medo de você querer me seguir, de você realmente cumprir o pacto de amizade, enquanto eu não sabia se conseguiria o mesmo. Medo de te fazer cair no abismo que eu me atirava. Sim, você conquistou um amigo covarde, que só enxergava a porta de saída da sua vida, para te manter protegida de alguns desejos vergonhosos, que de amizade, não tinham nada.
Ao fim, como você sempre dizia, e eu escutava mas não ouvia, as máscaras caem, a cicatriz se abre, os dedos ficam de fato. Confesso agora, que ainda sinto um certo receio em te imaginar lendo isto, ainda mais, depois de tantos anos, mas me desculpe, esse segredo é o que me prende em jaulas de mármore, que só irão me libertar no dia em que você souber. E por tudo, hoje digo de todo o coração: Eu sempre te amei mais que como um amigo, eu nunca deixei de te querer, nem um dia se quer, nem uma noite se quer, em nem um drink se quer, em nem um beijo se quer, em nem um poema se quer, em nenhum sonho se quer.

Se fosse um dia antes, ela pegaria seu casaco, sairía de casa, e realizaria o que esperou a vida toda.
Mas hoje, ela não poderia fazer nada... não poderia responder, nunca mais.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

1ª composição

Faz um tempo já, outubro do ano passado.
É pra violão. Espero um dia rir disso e dizer " Meu Deus, como eu melhorei ! "
Enquanto isso não acontece:

Vanguardista Derrotado

F# Bm
Lembro bem daquelas tardes que você me dizia
Que eu podia ir muito além da filosofia
De que aquilo era assim porque Deus simples queria
E que querer mudar era seguir uma tola anarquia

D D9 Bm B9
Mas tudo que eu queria era entender o que eu sentia
Fazer você saber de coisas que nem eu sabia
Poder explicar o que Freud não explica
Tocar um folk rock com tom de uma cuíca

C#9 B9
Mas o tempo vai passando e nós pra trás ficando
Com falta de idéias e a vontade atrofiando
E aquele violão que eu tinha até deixado
Com lágrimas em cima e um tanto inusitado...
F# Bm
Desafinou!
_
Nas nossas conversas que você desconversava
Fazia sentir como se mais nada me importava
Morango e chantili para ganhar um passaporte
Com sede mental pra entender o que é a sorte

E o que você queria era entender o que eu sentia
Fazer eu saber coisas que nem você sabia
Revolucionar clichês que até Duchamp irrelevou
E fazer com que todos defendessem um valor

Mas o tempo vai passando e nós pra trás ficando
Com falta de idéias e a vontade atrofiando
E aquele violão que tínhamos deixado
Com lágrimas em cima e um tanto inusitado...
Desafinou!

domingo, 3 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

ambiguidade.


Arrogância:
do Lat. arrogantia
s. f.,
orgulho;
altivez;
presunção;
insolência;
audácia;
auto-confiança;
auto-suficiência;
excentricidade;
insubmissão;
qualidade do crítico.

Meus super heróis sempre foram arrogantes.
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Essa palavra merece um post só pra ela.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Morango com aroma de ameixas brancas.



I - Minha bolha.

Andava distraído como ninguém, de certo, esperava que o acaso o protegesse.
Pediam 1 kg de mortadela; ele entregava queijo fatiado. Perguntavam - namorando? -; ele respondia - tudo bem, e com você? -. Agradeciam à Deus por respirarem; ele agradecia a suas mitocôndrias e enzimas catalizadoras de glicose por estarem funcionando bem.
Tomava café com chocolate em pó. Colocava camisas do avesso. Há quem diga, que ele era "dos avessos."
Também, gostava de colocar a mão no lago e sentir os peixes bicando a ponta de seus dedos melados de goiabada (de goiabada). Levava o dente da velha cachorrinha falecida (que havia guardado com tanto carinho quando viu cair) no bolso em dia de prova. Por algum motivo, dava sorte, principalmente em provas de matemática, e isso era facilmente explicado pelo fato da cachorra ter sido pirrónica em questões numéricas, ela sempre esperava colocar os três ossinhos de porco em sua latinha, caso contrário, cheirava e não comia.
Escondia-se para comer sozinho o tão cobiçado "Sonho da Dona Ida" no intervalo das aulas, óbvio; afinal, levava mais de um mês guardando os míseros trocos das contas de Seu Firmino - dono do galpão onde morava - para comprá-lo. E tratando-se de paladar, já sonhara algumas vezes com uma bacia de morangos frescos só para ele, bem como onde morava, morango era mais raro do que minerais preciosos. Só odiava espirrar, ardia as narinas e garganta.
Fora isto, tudo era bom, e se não fosse, ele o faria ficar. Se a escola não ensinasse, ele aprenderia em outro lugar. Sua bolha era descomunalmente exímia.
Isso, até o dia em que ela entrou na sala. Sentiu-se um certo aroma de ameixas brancas e ao mesmo tempo uma sensação estonteante de estar em meio aos tão sonhados campos de morango. Pobre garoto, sua bolha se estourava aos poucos, e ele nem percebia, porém, agora a culpa já não era de sua distração. Esta, só levou a culpa de suas notas terem caído 70% (inclusive em matemática), e logo depois, do dente ter sido perdido, mas isso ele também não percebeu. Maldita distração. Distração que só mudou de nome, passou a se chamar " Garota dos cabelos cor de fogo. "
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Continua, agora preciso dormir.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Quando o rouge ruge.



Hoje estou fora
hoje estou livre
hoje estou viva
hoje estou fútil

E na minha futilidade
as coisas andam do meu jeito
por que isso tem que ser pecado?
independentemente, não é com pecado que se é perdoado?

Pois pequemos todos
pequemos enquanto é tempo
pequemos para não nos tornar pequenos
de histórias santas pra contar

Ninguém gosta de folha em branco
mas eu? oh não, sou vermelha demais pra isso
ninguém gosta do que é morto
mas eu? oh não, sou viva demais pra isso

"joga pedra na Geni
joga bosta na Geni
ela é feita pra apanhar
ela é boa de cuspir."

Incitar à prostitutas
travestis
e barganhas
é digno
do inferno?
é digno
dos que usufruem disso

"Falando bonito"?
palavras sem sentido
pois fale
invente um significado
o seu rouge está apagado
e cobiçando o meu
se eu te dou, qual o problema?

Pode até ser
sou perdida nos lençóis
mas a cada dia
um lençol diferente
perdida na saliva
mas a cada dia
uma saliva diferente

Renovando minha divina vitalidade
na minha infernal futilidade
meu sangue rouge
ruge de desejo
que de tanto rugir

Torna-se anseio
de sentir
de prazer
de sede
de vida

E de morte

Porém, de minha morte
o rouge nunca morre.
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domingo, 19 de abril de 2009

So, soul sou.




soul só
soul sete
soul music
e soul solta

soul sad
so sad
soul sun
e soul sal

assim, de so soul
sou eu.