quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Chaleira de casa.

Era tarde da noite quando me ligou.
Eu ainda não havia dormido às 3h AM com o mp3 tocando Elliott Smith, mas já teria adormecido há 3 anos atrás, tua voz em minha cabeça. Há tempos não nos falávamos, nem lembrávamos... - Não. Lembrar, creio lembrávamos; bem como aquelas embalagens de sonho de valsa guardadas no fundo da caixinha de sapato, decorada pra lembranças.
Eu tentei, aos poucos ir refazendo seus traços após o 'alô', e em mais 4 palavras, você parecia estar ao meu lado. Esculpi as lembranças daqueles dias, enquanto respondia monossílabos ao telefone, mas não consegui entender a metade do que deu errado: eu não sei do quê eu posso te salvar.
Te convidei para vir até minha casa, e em 30 minutos, você estava a minha porta. Percebi pela imagem do olho mágico, que nunca havia te conhecido de verdade, nem você a mim, mas era a minha campainha que estava a tocar. Abri a porta, e me dei conta de que a pessoa que você era antes, se tranformou (ou apenas se mostrou) em alguém para quem eu não me importaria em colocar a chaleira no fogão.
Não conversamos muito, como sempre, poucas palavras, poucas expressões, muitos olhares perdidos se encontrando a todo segundo. E eu me senti lá, contigo.
Dei o endereço da casa, a qual eu me mudaria hoje, e de manhã, achei o papel amassado-culpado na calçada, assim como o cartão de 3 anos atrás.

Eu não sei do quê eu posso te salvar.
Eu ainda não sei do quê eu posso te salvar.
Mas a pessoa que eu conheci ontem, é alguém para quem eu não me importo em colocar a chaleira no fogão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ode ao nada.

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Leia o que quiser, o texto já te leu.

Não há mentes vazias.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sonhos

É preciso aumentar a dose...


Ou trocar de veneno.

domingo, 4 de outubro de 2009

nostalgic game

O médico fica no gol
o psicólogo é o zagueiro
o cientista é o lateral
o político, meio de campo
o preguiçoso, atacante

o artista é reserva
o poeta, comentarista.

e é gol! do atacante...
mais uma vida desperdiçada em frente a tv.

alguém escolha outro técnico? alguém mude de canal?

sábado, 3 de outubro de 2009

Independentemente.

Estudando arte e alguns dos nomes mais importantes de tal, concluí algumas coisas: Muitas pessoas criativas não conseguem estabelecer relações pessoais maduras e algumas ficam extremamente isoladas. Em algumas ocasiões, um trauma, na forma de uma separação ou perda precoce, desvia a pessoa potencialmente criativa para o desenvolvimento de aspectos de sua personalidade que podem encontrar realização em isolamento. Mas isso não significa que as buscas criativas solitárias sejam em si patológicas.
O comportamento de evitação é uma reação destinada a proteger a criança de desorganização comportamental. Se transferirmos esse conceito para a vida adulta, podemos ver que uma criança que evita as outras poderia se dar muito bem, se transformar numa pessoa cuja principal necessidade seria encontrar algum tipo de significado e ordem na vida que não dependesse inteiramente, ou mesmo principalmente, de relações interpessoais.

(Uma desculpa? talvez.)

Traços à palhaço.

Contaram-me essa história recentemente:

"Certa vez, numa cidadezinha do interior apareceu um circo, e entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias. Também era um conselheiro para as crianças e jovens que o procuravam.

Um dia porém um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: “não posso procurar o circo... eu sou o palhaço”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Complexo de Épico"

Hoje ouvi uma das maiores besteiras da minha vida:

"De música brasileira, Tom Zé que presta."

Se as várias personalidades que o acompanharam no disco Tropicália ou Panis et Circensis não prestam, por que só ele prestaria ?
Vai ser paga pau de rádiorédi no inferno. Lá é quente o suficiente pra ver neguinho andando de cachecol e boininha européia.

"Todo compositor brasileiro

é um complexado.

Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?

Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!

[...]Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida."

Complexo de épico - Tom Zé.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Rosebud (o verbo e a verba)"


"Dolores, dólares...

O verbo saiu com os amigos
pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas,
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afagou sua mágoa, e dormiu.

O verbo gastou saliva,
de tanto falar pro nada.
A verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cáderver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.

dolores e dólares
que dolor que me da los dólares
dólares, dólares
que dolor, que dolor que me da." - Lenine.

Com certeza, uma das melhores metáforas e músicas já feitas.

domingo, 30 de agosto de 2009

The search is over.


Ora, sinto muito caro leitor conservador, mas o que o Fantástico transmitiu hoje, merece um post no-sense.
Adaptação minha de "a palo seco" para o nosso amado ex-sumido cantor, Belchior:

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que o Fantástico me procurava
De olhos abertos lhe direi:
Amigo! Eu me endividava.
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é brega em 2009
Eu quero é essa mídia
torta feito faca
corte a língua de vocês.

Ps. Parece que a função dos jornais de hoje passou de "informar", para "especular."
Para quem não viu, aí está ele:

sábado, 29 de agosto de 2009

#.

Empiristas aprendem com seus próprios erros.
Racionalistas aprendem com erros dos outros.

Escolha.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Faces de Chanceler (desenho)

29/07/2009 Inspirado em Bismarck. (o que vê acima?)

Chanceler de Ferro ?

"Existem filósofos alemães? Existem escritores alemães? Existem bons livros alemães? Fazem-me esta pergunta no estrangeiro. Ruborizo-me! Mas com toda a delicadeza que sou capaz nestas situações delicadas, eu respondo:
- Sim! Bismarck!"
- Nietzsche - 1888.

...E ninguém acreditou ao ver aquele homem de ferro chorando... pela morte de seus cachorros.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Indentidade

Não trato de explicar-me

Se ao ponto final

Já estarei metamorfoseada.

#

Conhecimento, conhecer, cimento, conhecido, conhecedor, conhaque, caimento, convicção, cova, corvo, coincidência, com incidência, coligação, coabitante, corroer, coacervado, cor, cognato, cópula, coagir, confirma, couver, cuba, consílio, ciliado, conjectura, conhecimento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Perdendo Dentes"

Vejo filmes, mas nunca os assisti
Folheio livros, mas nunca os li
Toco músicas, mas nunca as ouvi
Acho pessoas lindas, mas nunca as beijei
Ouço debates, mas nunca falei
Nunca imaginei, mas aqui fiquei

Anda assim, empurrando com a barriga
O que o músculo não suporta
E o cérebro não comporta

Sou troféu dos detentos
Terror dos lazarentos
Sou pedra soturna, batendo em água dura
O clássico empoeirado
A memória do cansado
Sou Bukowski embriagado

Mas fui eu quem decidi
O que vim fazer aqui
Como você
A diferença é que optei por revelar
Quem sou eu.

(É uma música na verdade, só falta colocar os acordes corretos, e arrumar um nome. Aceitaria sugestões se alguém chegasse a ler isto.)


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"As coisas"


"As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido.

As coisas não têm paz."
(Arnaldo Antunes)

desenho amador mas quebra um galho para o post.