quinta-feira, 27 de maio de 2010

Minha dessabença

Ao meu senso
Não o pó
Ou o átomo
Não o câncer
Nem o genoma
Não o verde
Ou a organela
Não o micro
Nem a energia
Não o macro
Ou o cosmo
Não a extinção
Nem a explosão

Meu problema
São as datas comemorativas

Não a fome
Nem a seca
Não a poesia
Ou o trema
Não a cultura
Nem o ufanismo
Não o lado certo
Ou o Calabar
Não a censura
Nem o Parangolé
Não o véu
Ou a humilhação

Não me importo
Nem me concentro
Ou me estudo
Se tu não estás como outrora

Meu problema agora
São as datas comemorativas

Comemorando números
Em memórias de mim
Presenças
Em ausência de ti
E ausências
Em presença de outros
As datas comemorativas
Comemoram nossa falta
Desse ano
Em fartura de
Anos passados

O problema do mundo
São as datas comemorativas
Ademais, meu problema é amor
E amor é a dessabença do meu mundo.

domingo, 11 de abril de 2010

Culto Curto

Quero ser do interior
Chega desses livros descritivos
Você gosta enquanto
Não é protagonista

Queria ser caipira
Não esses homens de bigodes
Em preto e branco
Aceitem sua época

Queria ser caipira
Os poemas sobre o vaso
Não resumem a cena
Quero a cena seca

Queria ser caipira
Culto nada
Curto tempo pra isso
Curto saco pra eles

Queria ser caipira
Pois no interior
Todo culto
É curto

e vice-versa

domingo, 4 de abril de 2010

Peripécias de 4ª série.


03:31 da manhã! Veio-me à cabeça uma lembrança muito clara. O evento ocorreu 9 anos atrás, na minha sala da 4ª série B, e desde então, eu nunca mais havia me recordado disso.
Estávamos numa aula qualquer, quando a diretora (a chamada "Burdogui") entra e chama pela Vanessa, uma garota que sentava no fundo da sala, meio rejeitada popularmente por causa dos cabelos esvoaçados de tom cinza. Era feia.
O motivo da chamada foi o seguinte:
Cerca de uma semana antes disso, essa garota estava mudando seu quadro de rejeitada, e ficando popular, pelo fato de estar pagando lanche para a maior parte da sala no recreio. Eu ouvia os cochichos das outras crianças, dizendo que haviam ganhado salgadinhos da Elma Chips, com figurinha do pokemon dentro, balas, dadinhos, e até risoles e cochinhas de frango, especialmente a Juliana, uma loira Pop. Eu não estava inclusa na lista de presenteados, não sei porquê, desconsiderando o fato de que minha popularidade era tão "boa" quanto a da própria Vanessa, salvo os cabelos e o altruísmo momentâneo dela.
Até aí, eu mal tinha me tocado, ou parado para pensar na situação financeira da dita cuja, e muito menos na razão de tudo isso: estava ocupada demais na minha carteira, pensando no episódio de El Hazard que eu assistiria a tarde.
Porém, nesse dia em que a diretora chamou-a na frente de todos, esclareceu-se o caso! A Vanessa levantou da carteira, cabisbaixa, e foi até a porta, onde estavam a diretora, a professora Ione, e uma mulher magrela, que eu pensava ser coadjuvante inútil da cena.
Essa mulher magrela era mãe dela, e lembro da sala inteira ter visto e ouvido ela falar em voz alta - "Por que fez isso Vanessa?" - quando a diretora interrompeu e nos mandou não aceitar mais presentes dela, pois eram comprados com dinheiro roubado, adivinhe de quem; Da própria mãe. Quase todo o salário da coitada.
Isso foi dito em público, com todos presentes: mãe, filha, e idiotas figurantes como eu. No dia seguinte, eu já havia esquecido, preocupada com meu novo mangá. Mas ainda sim, ouvia cochichos em todo lugar, e só hoje, fui refletir em como isso foi dolorido e dramático!

Tudo culpa do filme "Os Incompreendidos", de Truffaut, que acabo de assistir. É tolice ver essas coisas antes de dormir...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dancing with myself


Não tenho isso
Eu tenho é gosto
Aquilo também não
E eu gosto
Nunca tive
Mas sei que gostarei
Uma vez mais, gostosa
Não sei de nada
Sei meu gosto
Não tenho nada
Eu tenho gosto
Eu só tenho gosto

Eu tenho muitos gostos
Todos os gostos
Gosto de todos

Eu tenho tudo
Do mal gosto
Gosto bom

Não sei de nada
Mas gosto, eu tenho.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Haja graça.


O bizarro, a comédia, e o drama, são cada dia mais, a mesma coisa para mim. O chocante dá lugar ao cômico que, na verdade, oculta o patético das pessoas que sofrem.

Assim, desfrutemos nossa cotidiana comédia.

Rosa Púrpura do Cairo - Woody Allen


Assistir a um filme, é como perder sua identidade por alguns minutos, para viver uma história desconhecida até então, ser outra pessoa, apaixonar-se, ou odiar alguém. Em determinadas ocasiões, inconscientemente, temos a sensação de que o próprio filme nos assiste, pois alcançam desejos, traumas, ilusões que temos, e sempre com um personagem do qual mais nos identificamos. Woody Allen sabe fazer isso comigo. Os filmes dele me assistem, da mesma forma que os filmes hollywoodianos da década de 30, assistiam Cecília (Mia Farrow), a protagonista de A Rosa Púrpura do Cairo.
Com uma explosão de metalinguagem tratando-se de cinema, o filme conta a história de uma garçonete pobre, ingênua e gentil, vivendo em plena a grande depressão americana. Tendo um marido que a traía e machucava, e um trabalho medíocre, ela encontrava conforto no cinema, o qual a fazia sonhar com todo aquele glamour que este vendia. Diante do desemprego, tensão econômica e política desse intervalo entre guerras, hollywoody promovia como nunca o american-way-of-life, o sonho americano de luxo e liberdade, com os sensuais cigarros, charutos, a Coca-Cola, e os Ford-T's passeando pela cidade. Cecília é o esteriótipo de cidadão da época, que ia ao cinema para penetrar na tela, viver o amor que sempre quis, e esquecer sua vida por alguns instantes. Porém, a pitada de comédia irônica de Woody Allen entra em cena, quando Cecília vai ver o novo filme em cartaz, "Rosa Púrpura do Cairo", pela 4ª vez, e um dos personagens, Tom Baxter, (Jeff Daniels), sai da tela e a convida para fugir com ele. A partir daí, seguem-se cenas impagáveis, de Cecília mostrando o mundo real ao galã.
Uma delas, se passa num restaurante caríssimo, o qual, depois de um jantar romântico, ele paga a conta com dinheiro falso, dizendo, "Oras, sempre aceitaram esse dinheiro no filme", e assim, eles saem correndo sem pagar, entram num carro alheiro, e Tom diz novamente, "Ele não está andando! Os carros sempre andam no filme." E então, com um jeito meigo, inocente e apaixonado, Tom conquista Cecília; isto é, até o ator verdadeiro aparecer, querendo levar seu personagem de volta às telas, e alegando gostar de Cecília também. Assim, a protagonista solitária, se torna a mocinha do filme, docemente encantadora e desejada por dois homens perfeitos (um do mundo real, e outro fictício).
Allen consegue misturar fantasia, romance, comédia, ironia, e crítica ácida de um jeito cativante, e ainda fechar com um final totalmente realista, contrastando com todo o decorrer do filme, para quem esperava algo "água com açúcar", é simplesmente um tapa na cara.
Rosa Púrpura do Cairo, com certeza é merecedor dos vários prêmios que ganhou, como: Oscar de melhor roteiro original (1986), Cannes (1985), BAFTA(1985), dentre outros, embora Woody não dê a mínima para isto. Na entrevista que deu para a Folha de S.Paulo em 2006, ele falou o seguinte sobre premiações:

"Não vou a esses eventos porque desgosto deles. Acontecem na Califórnia, eu moro em Nova York, tenho que pegar avião, viajar milhares de quilômetros, atrapalhar minha rotina, uma chatice, prefiro ignorar. Artisticamente não significam nada."

Para encerrar, colocarei aqui uma das frases que me fazem amar este indivíduo: "As pessoas sempre me enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou intelectual (porque uso óculos), e que sou um artista (porque meus filmes perdem dinheiro)." - Woody Allen.

fikdik

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um diálogo.


ANDRÉ diz:
. eu ando pensando bastante na sensação que dá quando você vai num lugar onde pessoas que você conheceu moraram
. ou você mesmo
. eu fico em transe sempre que passo perto da casa onde passei minha infância
lídia diz:
. hm
. sabe, agora que tocou no assunto
. acho que isso pode explicar a minha ânsia indireta de sair de casa ou da cidade
. talvez eu queira sentir esse transe que você sente
. eu sempre morei aqui
ANDRÉ diz:
. bem pensado
. morar sempre no mesmo lugar dá nisso
. mas a sensação geral pra mim é de tristeza em relação a esses lugares
lídia diz:
. mas... isso não deveria ser uma coisa "boa"? Se não, eu não teria o impulso de almejar...
. eu já me imaginei olhando a árvore da frente da minha casa, daqui uns 30 anos
. me lembrando de "quando minha avó era viva"
. seria uma tristeza, mas ao mesmo tempo
. não sei... um sentimento hipotéticamente vivo e interessante
. não sente isso?
ANDRÉ diz:
. sinto sim
. é aquela velha sensação de nostalgia, não é?
[...]
[...]
lídia diz:
. acho que se a nostalgia fosse uma pessoa
. seria daquelas que você ama e odeia ao mesmo tempo
. aquelas bipolares
. que te fazem rir, como fazem chorar
. mas uma pessoa excepcionalmente reservada
. que dizem ser "meio morta"
. mas que te faz sentir vivo ao estar perto dela
. um negócio meio paradoxal, sei lá.
ANDRÉ diz:
. então, você pode interpretar a nostalgia como sendo nós mesmos
. todo o contraste da coisa
lídia diz:
. tem razão
. o nós do espelho... talvez?
ANDRÉ diz:
. hmm
. realmente
. parece ser uma boa visão das coisas
. ou de nós.
_________________________
A conversa foi mais ou menos assim, tirando os erros de digitação no msn.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Regurgitofagia - Michel Melamed

Parte I
"Confirmado, eu morri! Estou aqui apenas para esclarecer que não há vida após a morte. A gente morre e fim. Acaba tudo geral. No exato segundo em que se morre, perde-se a consciência e... Portanto não existe alma, reencarnação, inferno nem reino dos céus. A pergunta óbvia então: como é possível, se não existe nada após a morte, que eu, morto, esteja aqui querendo confirmar a inexistência? Simples, eu estou escrevendo este texto antes de morrer. É um misto de insight com presságio. De resto é poder contar com um pouco de sorte e eu estou apostando todas as minhas fichas. Afinal, não havendo nada após a morte, não há o que ser descrito. Apenas esta confirmação, que tenho certeza, de onde eu estiver, uma vez mais assinarei embaixo. Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer por ter vivido. Um beijo todo especial para o mundo inteiro, e sorte e coragem pra vocês. logo, quero dizer, nunca!"

Parte II
"Confirmado, eu morri! Estou aqui apenas para esclarecer que há vida após a morte. A gente morre e começo. Começa tudo geral. No exato segundo em que se morre, ganha-se a consciência e... Portanto existe alma, reencarnação, inferno e reino dos céus. A pergunta óbvia então: o que é que tem depois da vida? Complicado explicar. Porque eu estou escrevendo este texto antes de morrer. É um misto de insight com presságio. De resto é poder contar com um pouco de sorte e eu estou apostando todas as minhas fichas. Afinal, havendo vida após a morte, farei todo o possível para me manifestar e contar tintim por tintim. Por enquanto, apenas esta confirmação, que tenho certeza, de onde eu estiver, uma vez mais assinarei embaixo. Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer por ter vivido. Um beijo todo especial para o mundo inteiro, e sorte e coragem pra vocês. logo, quero dizer, ei, você por aqui?!"

Após ler as duas partes, acometeu-me um certo pessimismo característico, que eu chamaria, em outra ocasião, de tendência sádica. Uma certa repulsa ao final alternativo de vida após a morte. Repulsa à esperança de uma explicação mais complicada, que me renderia outras páginas pra ler em breve, morrendo de sono, e tendo que trabalhar no dia seguinte. Mas ah, esperança... esperância, eu diria! Para mim, essa palavra tem a mesma sonoridade de outras como lambança, ou matança. E por que, esperança, não seria derivada de mais um sortudo verbo, vítima do agressivo vilão, Ança, o sufixo popular com um quê de petulante? Seria uma espera, pintada de tola: uma esperança. Enfim, vê-se que minha fé na consciência póstuma está de fato, regurgitando aqui, após repetir esperança tantas vezes.
Então, e você? Qual palavra você mudaria nos textos para seguir sua vida em frente, e morrer em paz? Prefere não ler nada, para ter certeza do fim? Ou... está morrendo?! Oh, um beijo todo especial, e escreva-nos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Entrelinhas, paixão-psicose.

Querida, fui comprar batatas! Hoje é um jantar especial. Estou preparando-as com molho de tomate e frango, você disse que era seu prato predileto da primeira vez. Onde você estava até agora? Estive te esperando o dia todo! Comprei esse terno novo, gel para cabelo, e um barbeador decente (sei que não gosta da minha barba). Onde você vai? Ajude-me a colocar a assadeira no forno, eu estou fraco. Faltou pimenta? Eu sou um frouxo, perdoe-me. Tome essa venda. Assim não verás meu rosto envergonhado. Não pode ir agora, comeremos juntos. Não quero fazer como antes, vamos devorar um ao outro essa noite, um ato de dois. Prestarei atenção e elogiarei seus mamilos, eu te digo, não me deixe. Não tenho sua mão para colocar a pitada certa de sal, ajude-me, não tenho mais sua mão para segurar há anos, e hoje, ela estará onde eu pedir. Não, você não vai! Engoli a chave de casa, terá de me abrir. Não, você não vai! Quantas noites não passei, te vendo da janela no apartamento dele, na rua de cima? Eu sempre soube. Você ia aos domingos, isto é, quando a "assistência" na enfermaria não a ocupava. Mas hoje, ao menos hoje, você será minha, sem receios, sem pudores, só minha, irá onde eu pedir! Minha sim, vadia! Pois seja essa vadia comigo também! O que quer com essa faca? Ah querida, esse corte não me fere em nada, comparado aos açoites que levei esses anos. Eu sempre me regenero, só pra voltar a te querer, e te machuco em troca, com o que mais tens nojo: eu, em você. Sim, mas é claro que eu já sabia dessa sua repugnância. Largue essa arma, não será uma bala que nos separará, você me pertence. Em todos os seus porres, nesses anos todos, eu estive lá. Em todas as suas "horas extras noturnas" do trabalho, eu estive lá. Em todas as suas trepadas, em todos os seus banhos, eu estive...

morrendo. Morrendo só pra te ver. Só pra te ter aos meus olhos. Então atire mais uma bala, esta na cabeça. E como se fosse diferente, assim eu termino: me arrastando, segundos antes da morte, pra ficar perto de você. É como eu disse, não adianta não. Agora, o sangue que sai de suas entranhas, finalmente, se mistura com o meu. Perdoe-me querida, eu treinei para ser um bom amante, mas esqueci que era apenas, o marido.

- Em nome dos obcecados personagens, Sancho, de 'Carne Trêmula', e Benigno, de 'Fale com Ela'. Um tipo de mente fácil de se encontrar (ou de se transformar), mas difícil de compreender.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Palpitação final


Esse ano, a virada será memorável.
Alguém atire-nos facas
Que chova, muito sapo
Que mudem-se os ciganos
A virada será memorável
Sem horóscopos do dia D
Queimem as tabelinhas
Encham camisinhas
Sem gulodices
Mas sem luto
Não há rituais nem incensos
Virada virá
De cabeça pra baixo
As idéias decapitadas
De antigos anos
Anjos não sussurrem
O que não se ouve mais
Gritem todos
Amem, soltos
Atiro minhas preces, chega.

A virada virá
Como um tiro
Brusco ininterrupto

A virada virá
Como um cuspe ácido
Um púlpito.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Chaleira de casa.

Era tarde da noite quando me ligou.
Eu ainda não havia dormido às 3h AM com o mp3 tocando Elliott Smith, mas já teria adormecido há 3 anos atrás, tua voz em minha cabeça. Há tempos não nos falávamos, nem lembrávamos... - Não. Lembrar, creio que lembrávamos; bem como aquelas embalagens de sonho de valsa guardadas no fundo da caixinha de sapato, decorada pra lembranças.
Eu tentei, aos poucos ir refazendo seus traços após o 'alô', e em mais 4 palavras, você parecia estar ao meu lado. Esculpi as lembranças daqueles dias, enquanto respondia monossílabos ao telefone, mas não consegui entender metade do que deu errado: eu não sei do quê eu posso te salvar.
Te convidei para vir até minha casa, e em 30 minutos, você estava a minha porta. Percebi pela imagem do olho mágico, que nunca havia te conhecido de verdade, nem você a mim, mas era a minha campainha que estava a tocar. Abri a porta, e me dei conta de que a pessoa que você era antes, se transformou (ou apenas se mostrou) em alguém para quem eu não me importaria em colocar a chaleira no fogão.
Não conversamos muito, como sempre, poucas palavras, poucas expressões, muitos olhares perdidos se encontrando a todo segundo. E eu me senti lá, contigo.
Dei o endereço da casa, a qual eu me mudaria hoje, e de manhã, achei o papel amassado-culpado na calçada, assim como o cartão de 3 anos atrás.

Eu não sei do quê eu posso te salvar.
Eu ainda não sei do quê eu posso te salvar.
Mas a pessoa que eu conheci ontem, é alguém para quem eu não me importo em colocar a chaleira no fogão.

sábado, 3 de outubro de 2009

Traços à palhaço.

Contaram-me essa história recentemente:

"Certa vez, numa cidadezinha do interior apareceu um circo, e entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias. Também era um conselheiro para as crianças e jovens que o procuravam.

Um dia porém um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou: “não posso procurar o circo... eu sou o palhaço”.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Indentidade

Não trato de explicar-me

Se ao ponto final

Já estarei metamorfoseada.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"As coisas"


"As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido.

As coisas não têm paz."
(Arnaldo Antunes)

desenho amador mas quebra um galho para o post.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Way of wane.


Essa é de povoamento
Acostamento
Clima Branco
Origem à criação

Laissez faire, laissez passer, caiu
A chave foi Key-nesiana
E Marshall deu esmola
Para voltar ao topo

Hoje, a própria União
Tenta superar
Quase em vão
O que no começo
Era questão de colonização
Ironia, não ?

Mas o caminho
já se perde outra vez.
De quem é o próximo way of life?



sexta-feira, 24 de julho de 2009

Auto-suficiencia:



Kátia B - Só deixo meu coração

"Só deixo meu coração
Na mão de quem pode
Fazer da minha alma
Suporte pr’uma vida insinuante

Insinuante
Anti-tudo que não possa ser
Bossa-nova hardcore
Bossa-nova nota dez

Quero dizer
Eu pra tudo nesse mundo
Então
Só vou deixar meu coração
A alma do meu corpo
Na mão de quem pode

Na mão de quem pode e absorve
Todo céu
Qualquer inferno

Inspiração
De mutação
Da vagabunda intenção
De se jogar na dança absoluta
Da matança do que é tédio

Conformismo
Aceitação
Do fico aqui
Vou te levando
Nessa dança
Submundo pode tudo do amor (pode tudo do amor)

Porque não quero teu ciúme que é o cúmulo
Ciúme é acúmulo de dúvida, incerteza
De si mesmo
Projetado
Assim jogado
Como lama anti-erótica
Na cara do desejo mais
Intenso de ficar com a pessoa
E eu não à toa
Eu sou muito boa

Eu sou muito boa pra vida
Eu sou a vida oferecida como dança
E não quero te dar gelo
Jealous guy

Vê se aprende
Se desprende
Vem pra mim que sou esfinge do amor
Te sussurrando
Decifra-me (decifra-me)

Eu pra tudo nesse mundo

Absorvo todo céu
Qualquer inferno
Vê se aprende
Se desprende

Só deixo minha alma

Só deixo meu coração
Na mão de quem ama solto

Eu vou dizendo
Que só deixo minha alma
Só deixo meu coracão
Na mão de quem pode
Fazer dele erótico suporte
Pra tudo que é ótimo fator vital"
http://www.youtube.com/watch?v=ftcqvwECqhc

quinta-feira, 23 de julho de 2009

.

Se te vejo onírico
Sem te ver
Deveria ouvir-te ao prazer
E cheirar
Como se fosse te beber
em cálice de cale-se
para nunca mais a ilusão
dos sentidos a ti levar-me

Porém, sempre tem

Enquanto projeto de matéria
Quero morrer de ti
E comer em pedaços
Os estardalhaços
Que mata em mim
Mentira real que me usa
E me reclusa
Em clausura de amor
Que inexplicavelmente amo

Enclausurada
perguntas congênitas
compactuam
Por que não sinto?
Por que não está aqui?
Por que tem que ser sempre
Por que?
Apenas porque
não pode ser.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Nova boemia de antes.

Eu estava enjoado das velhas cortinas vermelhas, do vaso preto, das poesias parnasianas no canto do quarto, do relógio marcando hora de dormir e de trabalhar, de te pedir - querida me passe o sal -, e você me entregar o pote de açúcar com um sorriso um tanto maroto. Cheguei em casa. Elogiei seu vestido branco com barra até os pés e gola cacharrel, seu cabelo preso com palitinho japonês e perguntei da sobremesa. É claro, tudo "de lei."
Naquele dia, te vi adormecer novamente, lendo seu interminável livro favorito de todos os dias - O Segredo da Verdadeira Beleza Feminina - E eu, com meu inseparável parceiro noturno, Jornal do dia, sendo meu tempo escasso demais para lê-lo antes que anoitecesse. Porém, dessa vez o rodapé da página de anúncios, a coluna de relacionamentos, cuja qual eu nunca lia, me chamou uma súbita atenção. Dizia em palavras vulgares e instigantes: Se você gosta de caminhar à meia noite, tomar banho no mar leste totalmente despido, não é partidário de vegetarianismos, se gosta de cantar na chuva, não lê Olavo Bilac, gosta de bons etílicos, e sente falta de sua antiga pica em tom avermelhado, procure-me, e fuja.
Quanto absurdo! Na minha época não existia essas patifarias de baixo calão no jornal. Mas espere, qual é minha época ? Eu ainda estou vivo. Mandei a resposta no endereço do jornal.
Sim, eu gosto de tomar banho no mar totalmente despido, caminhar à meia noite cantando na chuva, prefiro os simbolistas, adoro etílicos e carne vermelha, isto, sem mencionar o último requisito de seu anúncio. Encontre-me em frente ao bar Bukowski, às onze horas da noite, e fugiremos. (casaco de lã, xadrex.)
Foi o que insanamente fiz. Isto me proporcionou mais adrenalina do que o pulo de bang-jump em minha adolescência. Depois de 25 anos ouvindo marchinhas fim de carreira, estava a aventurar-me novamente.
Estava lá no horário marcado, um tanto aflito e ansioso. Percebi uma mulher rondando o local, vestido vermelho, decote estravagante, cabelos ao vento, cacheados, batom destacado e olhar de águia. Mas eu conhecia aquelas curvas, eu já havia visto aquele sorriso maroto, e prendido aqueles cabelos. Sim, era minha querida garota salgada, minha esposa.
O que você faz aqui? - Então vi o anúncio na mão dela; ela mirou meu casaco.
Alguns minutos de silêncio, vieram as exclamações, os copos de chopp, as confissões, os perdões, e palavras perdidas ressurgiram, então, fugimos posteriormente.

Às vezes o acaso se encarrega de tudo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Num certo sei lá.


Desespero
espero no tempo
conto migalhas
migalhas lembradas
palavras sem letras

Des espero
o tempo passar
e passo tudo
esperando e des esperando
passar o que

Passa comigo
lado a lado
fardo à fardo
linha entre linhas

lembranças varridas
em noite taciturna
desmembramento febril
do que jamais
em plano se viu.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Não queira


mudar outra pessoa
...mude de pessoa.